De 27 a 31 de Janeiro de 2013 A FÉ e a COMUNICAÇÃO DIGITAL

O Sínodo dos Bispos em Outubro de 2012 apontava para a área da comunicação como uma “Nova Fronteira” trazendo enormes desafios. A missão que Jesus pediu aos seus discípulos é uma missão de transmissão: Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio… (Jo 20, 21). Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova (Mc 16, 15).Quando alguém é enviado, há uma mensagem a comunicar.

 Muitos de nós nascemos e crescemos num mundo onde as invenções em comunicação se limitavam à rádio, ao telefone, aos médias impressos, aos telegramas e à televisão.

 Lembro-me quando era criança, como era maravilhoso, todo este labirinto de fios coloridos e de pequenos botões que se encontravam atrás dum rádio transístor. Os tecnólogos deixaram-se verdadeiramente ultrapassar no desenvolvimento da comunicação digital. A tecnologia influencia as sociedades e a sua cultura, a sua linguagem, as suas tradições, a sua religião e sua missão. Isto permitiu a um grande número de países de se juntaram sem ter em conta o seu estatuto económico, muitos aproveitam deste resultado positivo.

Matt Swain no seu livro previne-nos para usarmos de discernimento e discrição na era digital para poder detectar os perigos potenciais do uso imprudente dos meios de comunicação social. O ruído dificulta o sentirmos os movimentos subtis de Deus que só podem ser ouvidos no silêncio do nosso coração, (Prayer in the Digital Age, Ligouri Publications).

Precisamos de cultivar em nós uma sensibilidade ao uso responsável e saber discernir a que nível e em que medida devemos utilizar estas tecnologias de comunicação.

 Cada cristão que quer transmitir a Mensagem, é chamado em primeiro lugar a acolher a Mensagem. A oração é um trabalho do coração. Na oração temos necessidade de tempo e de disciplina. É convite à humildade para aceitarmos quem somos de verdade diante d’Ele.

Esta atitude leva-nos ao silêncio e a um amor paciente na espera. A oração é um tempo onde podemos configurar a nossa vontade com a de Deus. Permanecer com Deus pode parecer longo, porque é um tempo onde a alma é modelada por Ele. Mas é também um tempo para fazer confiança “no trabalho longo e lento de Deus”, (Pierre Teilhard de Chardin), em nós.

Devemos progressivamente tornamo-nos imagens de Deus para podermos abrir a porta da fé aos que nos rodeiam. Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós… (Jo 20, 21). Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova (Mc 16, 15).

 Procuremos identificar em nós os efeitos subtis da comunicação digital, como os telemóveis, as redes de conhecimento, iPhones, a internet, a rádio os médias impressos. Será que nos ajudam a tornarmo-nos no que somos em verdade: filhos de Deus?

Ir. Charito Gorgonio

 

De 20 a 26 de Janeiro de 2013 A FÉ e os JOVENS

O encontro mais impressionante da juventude nos nossos dias é sem dúvida, a Jornada Mundial da Juventude. Uma só pessoa em nome de Jesus Cristo reúne milhões de jovens de todos os cantos do mundo. Não é extraordinário?

Há alguns anos, tive a oportunidade de acompanhar um grupo de 38 jovens da diocese de Elphin na Irlanda, numa peregrinação à Terra Santa. No princípio, receava de que fosse apenas uma experiência turística. No segundo dia, nada parecia tocar o coração dos jovens. No terceiro dia na Igreja do Santo Sepulcro começaram a colocar questões. Jesus foi mesmo sepultado aqui? A Ressurreição aconteceu verdadeiramente neste lugar? As perguntas multiplicavam-se em cada dia à medida que colocávamos os nossos passos, nos passos de Jesus.

O Papa Bento XVI sublinhou a necessidade urgente da purificação da Igreja dizendo: Será decisivo repassar, durante este Ano, a história da nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Enquanto a primeira põe em evidência a grande contribuição que homens e mulheres prestaram para o crescimento e o progresso da comunidade com o testemunho da sua vida, o segundo deve provocar em todos uma sincera e contínua obra de conversão para experimentar a misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos (Porta Fidei # 13).

Eis um convite para cada um partilhar testemunhos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação (Ibid # 13)

As JMJ, as peregrinações de jovens, as reuniões diocesanas dos jovens, os Encontros Internacionais da Juventude são momentos e ocasiões privilegiadas para educar e partilhar a nossa fé com a juventude. Penso particularmente nos que trabalham regularmente com eles nas escolas, nas organizações paroquiais, na catequese, os acólitos, cantores, etc. Os jovens gostam de saber, têm uma sede insaciável por tudo o que é novo: manifestam um entusiasmo e um interesse pela história do cristianismo. Há neles uma fome para conhecer a verdade.

O Ano da Fé é um tempo favorável para retomar o desafio de nos comprometermos em iniciativas criativas para apresentar numa nova linguagem a novidade da mensagem de Jesus e a história da nossa Fé. Reler e partilhar a história da nossa Fé poderá bem tornar-se um tempo de purificação e de conversão para nós e para os nossos jovens. Deixemo-nos surpreender pelo Espírito que está em acção e retomemos o desafio da Nova Evangelização!

Lá onde estamos sejamos evangelizadores. Transmitamos uma esperança.  

 

Ir. Charito Gorgonio

De 13 a 19 de Janeiro de 2013 A FÉ e a FAMÍLIA

De três em três anos o Santo Padre convoca uma Reunião Mundial das Famílias. A primeira destas reuniões foi em 1994, em Roma. A mais recente aconteceu em Milão, Itália e a próxima será em 2015 em Filadélfia, Estados Unidos.

O Santo Padre escreve: A Família é a comunidade fundamental do amor e da vida na qual todas as outras comunidades estão baseadas. A família é também o primeiro, ambiente fundamental onde cada pessoa se identifica e preenche a sua vocação humana e cristã. É no seio da família, que a pessoa chega ao mundo, que cresce e amadurece. A família é uma comunidade insubstituível.

(Beato João Paulo II – 2ª Reunião das Famílias, Rio de Janeiro, 1997)

Não é só a Igreja que é chamada a ser imagem do Deus Uno em Três Pessoas, mas também a família. O amor no casamento é fecundo porque realiza um outro bem… a procriação generosa e responsável dos filhos… e é fecundo para a sociedade, porque a vida familiar é a primeira e insubstituível escola de virtudes sociais, tais como o respeito pelas pessoas, a gratuidade, a confiança, a responsabilidade, a solidariedade e a cooperação.

(Papa Bento XVI, 7º Encontro Mundial de Famílias, Milão, 3 de Junho de 2012)

O Sínodo dos Bispos reconhece também que a Família é o lugar modelo para a Evangelização (Instrumentum Laboris #110) A fé é transmitida no tecido da vida familiar, vivida para ser dada e recebida. A nossa família é esta célula que transmite a Fé cristã?

Lembro-me muitas vezes da minha infância onde a vida de família, em geral, era simples e Educadora da Fé. Os nossos primeiros catequistas foram provavelmente a nossa mãe, os nossos avós ou um outro membro da família. A maioria dos nossos pais eram católicos bastante simples. A sua vocação de pais estava fundada sobre a sua fé em Deus. A sua intuição de fé levava-os a conduzir os seus filhos no caminho da santidade. A sua fé guiou-os a fim de responder à sua vocação.

Embora as imensas mudanças na nossa cultura e na sociedade têm uma influência por vezes positiva e negativa para a vida de família, os valores essenciais nunca mudarão. Lembrando as famílias de hoje, pedimos para que os pais tenham a ajuda necessária para guiar os seus filhos nos caminhos de Deus e para que as crianças continuem a amar e a respeitar os seus pais. Que as suas relações sejam enraizadas no amor mútuo. Que Deus proteja as famílias nas dificuldades que encontram na vida de cada dia. Que a sua fé seja forte e sustentáculo ao longo da vida!

Rezemos pelas famílias.

Que elas sejam espaços onde os jovens possam despertar para a fé e crescer na fé.

Ir. Charito Gorgonio

De 6 a 12 de JANEIRO de 2013 A FÉ e a COMUNIDADE

No Logo do Ano da Fé, a barca simboliza a Igreja, uma comunidade que avança na fé. Nesta barca, estamos todos unidos em fraternidade. Encontramos aí o equilíbrio e o apoio para atingirmos juntos, o objectivo do nosso caminhar.

No verão passado, fracturei o dedo médio da mão esquerda. No hospital, fiquei impressionada como tudo foi feito. O médico ligou a minha mão, colocou os dois dedos saudáveis, um de cada lado para proteger o que estava ferido e acelerar a recuperação. Chamou a isto “dedos-companheiros”. Os dois dedos estavam “ligados” ao dedo ferido.

Percebi que isto é um pouco o papel duma comunidade no nosso caminhar na Fé. Para fazer este trajecto em comunidade, é preciso unir-nos, criar laços de amizade. Sabemos bem que a vida comunitária é tecida de penas e de alegria, de faltas e de perdão, de dificuldades e de coisas belas. Em comunidade, partilhamos, aprendemos a respeitarmo-nos, a aceitarmo-nos umas às outras, às vezes com sofrimento, mas muitas vezes com alegria. É no meio destas múltiplas situações, que a nossa fé no Deus Amor nos convida a avançar e a partilhar, a contar com o outro, a amar, a desculpar e a perdoar, na alegria e na paz. Todas temos ocasião de ser o “dedo ferido” mas ninguém deve deixar de acreditar que encontra “dedos” capazes e amigos para nos apoiar na amizade e caminhar connosco. A Fé alimenta-se e cresce em comunidade.

 Jesus chamou pessoas a segui-lo. Estas pessoas formaram a comunidade dos discípulos. Ao seguir o Mestre, fizeram a experiência da amizade e da ajuda. É nesta atmosfera que Jesus os apoia e lhes ensina o primado do amor de Deus por cada um. Maria Rivier conhecia bem o poder da fé na comunidade, quando disse: ponhamo-nos juntas….

Somos uma comunidade unida no amor capaz de ajudar, de apoiar, de restaurar a esperança?

Ir. Charito Gorgonio

De 1 a 5 de Janeiro de 2013 A FÉ e o ANO NOVO 2013

Bem-vindo ao Novo Ano 2013! A porta da Fé está sempre aberta (Porta Fidei 1). A oração é o limiar desta porta aberta. Hoje, muitas pessoas procuram uma maior intimidade com Deus. Mas as preocupações de cada dia sufocam por vezes este desejo da alma.

Proponho-vos este texto sobre o exame do coração de Santo Inácio de Loiola adaptado a um modo de vida muitas vezes sobrecarregado. Randy Hain, em Integrated Catholic Life Magazine (1) propõe 5 etapas de reflexão ao longo do dia. Sugere 3 a 5 minutos de silêncio para cada etapa. Estes cinco momentos, durante os quais nos unimos a Deus, podem ajudar-nos a sermos mais sensíveis à sua presença na nossa vida de cada dia.

1. Acção de Graças. Começai por vos colocar na presença de Deus em atitude de acção de graças. Apresentai ao Senhor um acontecimento pelo qual estais reconhecidos, mesmo se atravessais momentos difíceis. Deixai a gratidão apoderar-se de vós. (De manhã ao levantar)

2. Oração para melhor compreender. Rezai ao Espírito Santo para vos revelar o dom de que tendes necessidade nesse momento. Abri-vos conscientemente à Luz de Deus. (pelas 10h30) 

3. Procurar Deus em todas as coisas. Eis o coração da oração onde examinais concretamente os acontecimentos do dia:

O que é que me aconteceu desde esta manhã?

Quem encontrei?

O que é que me preocupou ao longo do dia?

Como me sinto próximo de Deus? Hoje?...Agora?

Hoje, que me chama o Senhor de modo especial?

Será o tempo de tomar uma decisão forte que terá consequências na vida de outras pessoas?

Devo mergulhar simplesmente no reconhecimento pela presença de Deus na minha vida, no meu trabalho, na minha família?

Este não é o tempo para pesquisar as nossas faltas. É um tempo para reconhecer a acção e a presença de Deus em todo o meu dia. (durante a pausa do meio dia)

4. Pedidos: Exprimi a Deus os vossos desejos. Fazei da vossa oração um pedido: “Senhor, neste momento, peço-vos….a força de…..a coragem para…a resolução de… o reconhecimento para… (Depois do trabalho).                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

 

5. Reflexão e resolução. Finalmente, olhar o futuro. “Como vou viver o resto do meu dia?” “Que devo fazer?”

Terminar por uma oração, por exemplo o Pai Nosso. (preparando-se para a noite).

Randy Hain

Bom Ano Novo. Aceitemos o olhar de Jesus, Ele ama-nos. Só Ele nos pode conduzir nos caminhos da vida. Que seja abençoada cada etapa do vosso caminhar na fé, ao longo do ano de 2013!

(1) http://www.integratedcatholiclife.org

Ir. Charito Gorgonio